quarta-feira, 5 de junho de 2013




Gostava que olhasses para mim e me visses, disse ela quase a medo. Baixou os olhos e saiu. Ele ficou parado uma eternidade e a medo percorreu o caminho, agora mais distante, até ela. Não queria dar esse passo, mas o seu corpo cedia, continuava ali a tentar alcança-la. Ela seguia firme sem olhar para trás. Num último esforço a voz soltou-se e gritou o seu nome, ecoando na noite um arrepio de sentidos. Estendeu a mão e convidou-a a ficar. O luar iluminou a noite e a paixão transformou-se em constelação. Os corpos uniram-se e as almas abraçaram-se.




Eu sou areia que escorrega por entre os dedos e pássaro que voa sem hora marcada. Vivi muito tempo em gaiola fechada e agora descobri os prazeres do voo livre. Se gostas de voar vem voar comigo, se gostas de mar vem mergulhar comigo, se gostas de dançar eu danço contigo. Talvez permaneça por aqui, por hoje, mas amanhã posso já não estar cá. Conduz-me o vento, comanda-me o pensamento. Sou impelida pelo sol, pela lua, pela intensidade.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

terça-feira, 21 de maio de 2013


"E há o nosso eu que de vez em quando se 

liberta e voa.... Livre, sem amanhã..." DLRV

Adeus...



Quando nos encontrámos trazíamos histórias e o coração cheio de esperança. As histórias começam a pesar e sempre assim será. Quanto mais vivemos mais pesado fica o fardo que se carrega. Pequenos momentos de ilusão de leveza alternam com a realidade densa e, aos poucos, volta a pesar mais,  mais e mais.
Fica a saudade. Fica a nostalgia. Fica a eterna gratidão de um dia ter sido merecedora de tamanho amor. Aos poucos deixarás de pensar em mim, aos poucos recordarás apenas aquilo que te fazia confusão em mim e que tanto querias que eu mudasse. Mas eu não quero mudar, quero viver o tempo que me resta sendo verdadeira para comigo e para com os outros. A ilusão de alguém me amar assim como sou desvanece-se. Não quero estar numa relação em que não possa ser eu própria, em que tenha de medir, para além do razoável, palavras, atitudes, gestões de tempo, de amizades...
O teu amor por mim fez-me bem e vai continuar a fazer durante mais algum tempo, porque eu sei que me amaste verdadeiramente. Tu viste-me, sentiste-me, estiveste sempre lá para mim, sem sombra de dúvida. Respeitaste-me. Amparaste-me. Foste e serás sempre, para mim, uma pessoa maravilhosa. Preencheste espaços vazios. Todas as palavras que te dediquei foram sentidas e verdadeiras.
Apesar de tudo tenho de te dizer adeus. A minha vida não é compatível com o que me pedes, com o que começaste a exigir de mim. Recordarei quando tudo era leve, pele com pele, natural e sem ansiedades, em que nada em mim te fazia confusão. Mas a vida é assim, temos de abrir a porta...só conhecendo a casa por dentro saberemos se nos sentimos com vontade de ficar. 
Dizer adeus é sempre doloroso. Fica sempre tanto por dizer. A cabeça dá voltas, as recordações atropelam-se e os sentimentos confundem-se. A vida fica suspensa, como suspensa deixamos a respiração na ânsia de não ter de passar por tão grande provação. Parece mais suportável quando nos magoam a nós. Inesperadamente doloroso quando somos nós a magoar. Mas a vida segue implacável o seu rumo.

terça-feira, 23 de abril de 2013

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Amo-te...



Amo-te porque me vês por dentro e
Amo-te quando me sorris
Quando tocas o meu corpo e o fazes vibrar
Quando me ofereces flores
Quando me dedicas musicas lindas
Quando te preocupas comigo
Quando velas o meu sono
Quando somos pele com pele
Quando sonhamos juntos
Quando somos um
Quando pensas em mim
Quando vês passarinhos verdes
Quando complementas o que digo
Quando adivinhas o que penso
Quando durmo
Quando acordo
Quando me levas pela mão
Quando dizes o meu nome
Quando olhas nos meus olhos
Quando enqueixas em mim
Quando me fazes sorrir
Quando me surpreendes com atenções
Amo-te por tudo isto e por outro tanto
Amo-te porque me amas        
Sem me poderes amar.