quarta-feira, 10 de julho de 2013

A tua presença ausente



Terminou o meu dia longo, cheio de horizonte interminável. Já o meu corpo cansado me foge e eu ainda me arrasto para ti em busca do carinho que preciso para enfrentar um novo dia. A tua presença ausente ou a tua ausência presente não saciam a minha necessidade do teu calor. O som da tua voz sussurra-se no vento e lentamente deixo-me ir na tua direção. E enquanto percorro o caminho até ti, perco-me na imensidão da noite e deixo-me cair no sonho que me leva até ti. Se acordar e não estiveres aqui, ficarei sem saber se te alcancei. Esperarei que o vento sussurre o teu nome uma outra vez e pôr-me-ei novamente ao caminho.

quarta-feira, 5 de junho de 2013




Gostava que olhasses para mim e me visses, disse ela quase a medo. Baixou os olhos e saiu. Ele ficou parado uma eternidade e a medo percorreu o caminho, agora mais distante, até ela. Não queria dar esse passo, mas o seu corpo cedia, continuava ali a tentar alcança-la. Ela seguia firme sem olhar para trás. Num último esforço a voz soltou-se e gritou o seu nome, ecoando na noite um arrepio de sentidos. Estendeu a mão e convidou-a a ficar. O luar iluminou a noite e a paixão transformou-se em constelação. Os corpos uniram-se e as almas abraçaram-se.




Eu sou areia que escorrega por entre os dedos e pássaro que voa sem hora marcada. Vivi muito tempo em gaiola fechada e agora descobri os prazeres do voo livre. Se gostas de voar vem voar comigo, se gostas de mar vem mergulhar comigo, se gostas de dançar eu danço contigo. Talvez permaneça por aqui, por hoje, mas amanhã posso já não estar cá. Conduz-me o vento, comanda-me o pensamento. Sou impelida pelo sol, pela lua, pela intensidade.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

terça-feira, 21 de maio de 2013


"E há o nosso eu que de vez em quando se 

liberta e voa.... Livre, sem amanhã..." DLRV

Adeus...



Quando nos encontrámos trazíamos histórias e o coração cheio de esperança. As histórias começam a pesar e sempre assim será. Quanto mais vivemos mais pesado fica o fardo que se carrega. Pequenos momentos de ilusão de leveza alternam com a realidade densa e, aos poucos, volta a pesar mais,  mais e mais.
Fica a saudade. Fica a nostalgia. Fica a eterna gratidão de um dia ter sido merecedora de tamanho amor. Aos poucos deixarás de pensar em mim, aos poucos recordarás apenas aquilo que te fazia confusão em mim e que tanto querias que eu mudasse. Mas eu não quero mudar, quero viver o tempo que me resta sendo verdadeira para comigo e para com os outros. A ilusão de alguém me amar assim como sou desvanece-se. Não quero estar numa relação em que não possa ser eu própria, em que tenha de medir, para além do razoável, palavras, atitudes, gestões de tempo, de amizades...
O teu amor por mim fez-me bem e vai continuar a fazer durante mais algum tempo, porque eu sei que me amaste verdadeiramente. Tu viste-me, sentiste-me, estiveste sempre lá para mim, sem sombra de dúvida. Respeitaste-me. Amparaste-me. Foste e serás sempre, para mim, uma pessoa maravilhosa. Preencheste espaços vazios. Todas as palavras que te dediquei foram sentidas e verdadeiras.
Apesar de tudo tenho de te dizer adeus. A minha vida não é compatível com o que me pedes, com o que começaste a exigir de mim. Recordarei quando tudo era leve, pele com pele, natural e sem ansiedades, em que nada em mim te fazia confusão. Mas a vida é assim, temos de abrir a porta...só conhecendo a casa por dentro saberemos se nos sentimos com vontade de ficar. 
Dizer adeus é sempre doloroso. Fica sempre tanto por dizer. A cabeça dá voltas, as recordações atropelam-se e os sentimentos confundem-se. A vida fica suspensa, como suspensa deixamos a respiração na ânsia de não ter de passar por tão grande provação. Parece mais suportável quando nos magoam a nós. Inesperadamente doloroso quando somos nós a magoar. Mas a vida segue implacável o seu rumo.

terça-feira, 23 de abril de 2013