terça-feira, 3 de julho de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Insignificante...
Tu percorres um caminho longo. Segues em frente, mesmo que caias ou não te equilibres muito bem. Às vezes pensas, por breves momentos, que és importante, tens valor e mereces andar por cá. Sorris e passas alegre pela vida. Todos riem contigo e tens aquela sensação de felicidade que te entorpece e dá a falsa sensação que naquele momento está tudo bem.
Um dia acordas triste e sentes-te só. Pensas que tens de fazer algo para arrancar de dentro de ti essa chama que te corroi. Mascaras com sorrisos vãos, com conversas ocas e idas e vindas sem sentido para lugar nenhum. Pareces o vento que vai e vem e parece não sair do lugar. Sentes-te louca. Tentas soltar essas cordas que te prendem e dás contigo a apertar mais os nós. Contas as horas, os minutos para aquele momento em que vais entregar-te à vida e esquecer tudo o resto. Organizas a tua vida, o teu dia e esperas pelo momento em que o céu se vai unir à terra e vais gritar de felicidade. Corres. Fazes. Dizes. Imaginas e já louca de tanta vontade de explodir, tens de parar, implodir, sufocar, reprimir. Fingir.
Terminas o teu dia com a noção da verdadeira dimensão do teu ser. És grão de areia num imenso oceano. Aquele grão que todos pisam dizendo amar e admirar. Escondido no meio de outros grãos e que ninguém repara sequer que lá está, completamente coberto de oceano e que umas vezes fica a descoberto e outras completamente submerso. Sentes quão insignificante és. Ninguém desvia o seu caminho só para te olhar, embora muitos gostem de te ver ao passar. Ninguém conta as horas, os minutos para aquele momento em que se vai entregar a ti. E outra vez pareces o vento que vai e vem e parece não sair do lugar. Sentes-te louca. Tentas soltar essas cordas que te prendem e dás contigo a apertar mais os nós.
E baixas a cabeça. Recolhes ao teu leito com os teus olhos molhados. Das voltas e voltas até que adormeces cansada, sabendo que daqui a pouco amanhece o dia...
terça-feira, 22 de maio de 2012
Hoje contaram-me uma história irreal que não resisto em partilhar convosco: um pai sai de casa e deixa o filho com a mãe. Até aqui nada de anormal. Coisas do Livre Arbítrio. No dia da sessão de regulação do poder paternal, ficou decidido que a criança ficaria a viver com a mãe, fato a que o pai não se opôs. O irreal vem a seguir, na definição dos dias para estarem juntos e de seguida na definição do valor da pensão de alimentos. No primeiro ponto, os dias para estarem juntos, o pai não podia no dia x, nem na hora y porque estava a trabalhar e a estudar. Os advogados de defesa muito preocupados com o fato iam repetindo: "pois, não pode, veja lá então quando pode ser! Bom mas se no Sábado trabalha ate às 13h, é melhor ir buscá-lo as 14h30 para ter tempo de almoçar!"...No ponto seguinte, a definição do valor da pensão de alimentos, mais uma vez, a preocupação era com o pai, que não tinha rendimentos porque andava a trabalhar e a estudar para dar um futuro melhor ao filho. Os advogados diziam: "Ele coitado não pode dar mais do que 100€ e mesmo isso é muito arriscado e depois não pode dar mais nada, ele não tem, não pode!". A pessoa que me contou isto, informou os advogados que o pai estava a estudar mas estava a ser financiado a 100% para o fazer. Ao que os advogados prontamente e eficientemente disseram: "Isso não conta, as ajudas não contam, só podemos contar com o que ele ganha! e a situação económica dele é precária!" ao que essa pessoa respondeu: "Eu sei que a situação dele é precária, vivi 6 anos com ele e a situação dele foi sempre essa!"...finalmente, feitas as contas, o pai vai pagar menos de 3€ por dia para a mãe prover os alimentos, roupas, teto, conformo, assistência, lazer, higiene, lavagem de roupas, fraldas, etc, etc, etc, mais 50% das despesas de saúde e educação, daqui a 3 anos quando ele entrar na escola. Segundo me apercebo, é um excelente negócio, pelo que, se a mãe quiser que uma ama fique com ele, por motivos profissionais ou de lazer, pelos menos 15€/ hora terá de pagar. Se faltar um dia ao trabalho para o assistir na saúde, pelo menos 50€ serão descontados do seu vencimento/ dia. As noites mal dormidas para o assistir serão da mãe...As viagens para o Hospital...O que me indignou também nesta história, é que ninguém se preocupou com a mãe, se a mãe trabalha e tem tempo para dar assistência ao filho, se a mãe tem dinheiro para sustentar o filho sozinha, se a mãe tem direito a dispor do seu tempo como acontece com o pai. Se fosse a ela tinha sugerido que o pai, em vez de o ir buscar às 14h30 de sábado, fosse às 17h, almoçava, descasava um bocadinho e depois, com calma, ia buscar o filho. Eu, se fosse a ela até tinha oferecido abrigo ao pai, coitado, que trabalha 24h por dia e não tem tempo nem dinheiro para a ajudar a cuidar do filho. Os patrões pagam-lhe mal? fazem-no trabalhar e não lhe pagam? coitado. Ahh e ele teve direito a advogado (apoio judiciário) pago com os descontos da mãe, que há mais de 20 anos trabalha, para parasitas como aquele pai, que nunca fizeram nada na vida e o que fizeram foi sempre à conta das outras pessoas, pais, mulher, namoradas...andarem pela vida fora a pisar os outros. Indignadissima.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Nunca Me Tinha Apaixonado Verdadeiramente - José Luís Peixoto, in 'Uma Casa na Escuridão'
Escrevi até o princípio da manhã aparecer na janela. O sol a iluminar os olhos dos gatos espalhados na sala, sentados, deitados de olhos abertos. O sol a iluminar o sofá grande, o vermelho ruço debaixo de uma cobertura de pêlo dos gatos. O sol a chegar à escrivaninha e a ser dia nas folhas brancas. Escrevi duas páginas. Descrevi-lhe o rosto, os olhos, os lábios, a pele, os cabelos. Descrevi-lhe o corpo, os seios sob o vestido, o ventre sob o vestido, as pernas. Descrevi-lhe o silêncio. E, quando me parecia que as palavras eram poucas para tanta e tanta beleza, fechava os olhos e parava-me a olhá-la. Ao seu esplendor seguia-se a vontade de a descrever e, de cada vez que repetia este exercício, conseguia escrever duas palavras ou, no máximo, uma frase. Quando a manhã apareceu na janela, levantei-me e voltei para a cama. Adormeci a olhá-la. Adormeci com ela dentro de mim.
Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. A partir dos dezasseis anos, conheci muitas mulheres, senti algo por todas. Quando lhes lia no rosto um olhar diferente, demorado, deixava-me impressionar e, durante algumas semanas, achava que estava apaixonado e que as amava. Mas depois, o tempo. Sempre o tempo como uma brisa. Uma aragem suave, mas definitiva, a empurrar-me os sentimentos, a deixá-los lá ao fundo e a mostrar-me na distância que eram pequenos, muito pequenos e sem valor. E sempre só a solidão. Sempre. Eu sozinho, a viver. Sozinho, a ver coisas que não iriam repetir-se; sozinho, a ver a vida gastar-se na erosão da minha memória. Sozinho, com pena de mim próprio, ridículo, mas a sofrer mesmo. Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. Muitas vezes disse amo-te, mas arrependi-me sempre. Arrependi-me sempre das palavras.
sábado, 12 de maio de 2012
Quando confiar já não é possivel
Como conseguimos viver sem acreditar? Refiro-me ao acreditar no outro, não num sonho ou numa concretização, mas acreditar que o outro estará frente a nós de forma transparente e honesta. Vivo os meus dias a fugir das pessoas e ao mesmo tempo a querer estar no meio delas. Vivo os meus dias a querer apenas ouvi-las e ao mesmo tempo a querer gritar e pedir socorro, abrigo, abraço, conforto. Quando dou por mim a dar um passo no sentido de me entregar e viver intensamente uma nova amizade ou um novo amor caio no mais profundo abismo da incerteza de não ter percebido qual a sua verdadeira intenção na aproximação.
Adormeço sozinha. Deambulo pelo sonho e vagueio por ai toda a noite, percorro o universo e aqueço-me de sensações únicas e inesquecíveis mas acordo fria e só, de rosto molhado e cansado.
O meu corpo é meu, pertence-me. Não quero que o uses, não quero usa-lo para dar prazer a alguém, quero usa-lo para nós, para voarmos os dois e adormecer num encaixe perfeito sentindo-me feliz. Quero que me aqueças e ampares, ver a tua face ao adormecer e beijar o teu rosto ao acordar. Não quero ver rostos sem face a passar no meu leito, nem vozes sem som a sussurrar ao meu ouvido. Não quero sentir o perfume estranho na minha almofada. Como posso viver sem acreditar, quando confiar já não é possível? Cada passo que dou me afasta mais do caminho que quero percorrer. Tento adaptar-me mas em vão. Eu não sou assim, não quero ser assim..
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Os pequenos prazeres da vida
Os prazeres da vida estão nas pequeninas coisas. Nas minhas reuniões com pais das crianças que apoio, fico sempre sensibilizada com a capacidade que estes têm de gerir emoções, de contornar situações e de operacionalizar estratégias no meio do caos que certas vidas se tornam por causa das dificuldades desenvolvimentais e/ou comportamentais dos filhos. Hoje foi um desses dias. Deixo-os falar, oiço-os. Penso que hoje a grande dificuldade é deixarmo-nos estar e apenas ouvir o outro. Temos tanta necessidade de falar de nós que deixamos o outro em silêncio ou a falar sozinho. As crianças na escola não ouvem o professor, a escola não ouve a família, a família não ouve a escola, cada vez há menos espaço para ouvir. Nos recreios, nas salas de aula, vivenciamos um concurso de quem fala mais alto para se fazer ouvir. Estamos a criar gerações de egocêntricos, de pessoas cheias de certezas, que não colocam nada em causa e raramente têm dúvidas. Ora o mundo só avança no resultado de dúvidas, de hipóteses que se levantam e se comprovam ou rejeitam, na discussão de ideias e ideais. Hoje senti prazer numa pequena coisa: OUVIR. E claro, tive concerteza de dar a minha opinião técnica, porque também é isso que esperam de mim, que ajude a encontrar uma luz no fundo do túnel. Reforço esta ideia, que ajude simplesmente, porque o caminho cada um tem de percorrer o seu, não necessariamente sozinho.
sexta-feira, 30 de março de 2012
QUANDO A INJUSTIÇA BATE À NOSSA PORTA...
Hoje vou partilhar um texto escrito por um amigo com emoção, com um discurso vindo de dentro de todo o seu ser, que se transformou num grito digno de ser ouvido por todos quanto percam um momento para o ouvir:
"EU SOU POLÍCIA, ORGULHOSAMENTE!
No passado dia 11 de Fevereiro, decorreu um pouco por todo o país, uma marcha/concentração de cidadãos devidamente enquadrados por uma frente sindical, que a plenos pulmões gritavam contra o fantasma do endividamento, a famosa crise e suas maleitas.
A mim, foi-me confiada a missão de zelar por estas mesmas pessoas e ao mesmo tempo fazer por que tudo corresse dentro daquilo que tantas vezes se ouve falar, a Liberdade democrática.
E assim foi, como sempre, mas não para sempre, dentro do espírito sereno da malta Tuga, lá fomos indo desaguar na Praça do Povo, outrora conhecida por Praça do Comércio, cantando, berrando e mandando umas asneiradas, enquanto pelo canto do olho, alguns davam uma mirada Tuga, a uma ou outra menina, enquanto emborcavam uma imperial à pressa porque não podiam largar o cartaz muito tempo.
Dentro daquilo considerado normal.
Discursos, apupos, vaias e aplausos, termina a parte oficial.
Eis senão quando, foi-me dada a ordem de recolher o pessoal, visto que o evento estaria na sua fase de rescaldo. Assim, juntei a malta e devidamente enquadrados, deslocamo-nos para a nossa viatura para que pudéssemos trincar uma bucha.
Nesse mesmo deslocamento, há um garoto, que encoberto pela multidão, grita “…vão trabalhar seus chulos… parasitas… filhos da puta…fascistas…” .
–Cabrão! Pensei eu; -Devias-me dizer isso lá no café, na folga, ou no tempo dos cowboys lá no faroeste, paneleiro, covarde!
Ignorei e dei ordem para ignorar, fomos à bucha. A minha sandes devia estar estragada, caiu-me mal…
Eu sei que agora é tarde, mas mesmo assim a esse covarde e outros que para aí andam, tenho duas ou três coisas para vos dizer, cá vai;
“..Vão trabalhar…”???
Os chulos, ganham 780€ por mês, trabalham 45 horas por semana que se às quais somarmos os gratificados passam para 60, isso, 60 horas semanais.
Os parasitas, trabalham os feriados todos, sim, todos sem direito a compensação, as noite e os fins de semana sem direito a qualquer pagamento de hora nocturna, na chuva, no sol, no frio, no calor e por aí fora.
Os Filhos da Puta, depois de saírem de serviço, vão para tribunal com o bêbado que podia muito bem atropelar a tua família toda, quando saíste para ir jantar e celebrar uma merda qualquer que te tenha acontecido. Ficam no trabalho a acabar o expediente que vai de manhã para tribunal, com o bando que assaltou à mão armada, ou com o que roubou, matou, assaltou a farmácia, a ourivesaria, o carro, o puto que vinha da escola, a velha no autocarro, o camone no eléctrico e por aí fora, que por mim, podias ser tu, a tua mãe, o teu filho o teu irmão, que o trabalho seria feito de igual forma.
Os fascistas, chamam o reboque quando não consegues sair com o carro, quando um como tu, abusa da sua liberdade e deixa o carro mesmo na saída da garagem. Entendes este conceito de liberdade? Penso que sim.
Os chulos abrigam e protegem a mulher, as crianças que levam porrada de um esterco qualquer, só porque lhe apetece e leva-o a tribunal, na hora de folga.
Os parasitas, entram em casas em chamas, enfrentam armas de fogo, embrulham-se á facada, perseguem a grandes velocidades, lidam com todo o tipo de doenças, correm na direcção oposta, quando todos os outros fogem dali para fora.
Os chulos saíram do seu seio familiar e social e deslocaram-se, alguns para mais de 400km de casa, deixando tudo para trás, para fazer vida de forma honrada sem pedir nada a ninguém. Sem pedir nada a ninguém, sabes o que isso é?
Os parasitas, vivem num estatuto aprovado há mais de dois anos e regem-se pelo estatuto antigo, não conseguem passar um fim de semana inteiro com a família esperam 12 anos por uma promoção (única na carreira de 36 anos) e se quiserem algo mais, concorrem 1300 para 50 vagas.
Aqueles que insultaste, têm família, trabalham duro, são esforçados e honrados e são montes de merda como tu que colocam isso em causa? Não! Definitivamente não! Estes mesmos Homens e Mulheres apoiam os idosos que alguém como tu abandonou ao consumo do esquecimento, levam-lhe as compras, mudam-lhe a garrafa do gás e dão-lhe a medicação apenas em troca de um olhar grato, e isso sim, justifica tudo. Tu apareces quando tudo acaba, para vir buscar o ouro e ficar com as chaves de casa. E nós é que somos os chulos!
Aqueles que olhas com desprezo sabem um pouco de tudo, são Padres, Juízes, Médicos, Socorristas, Bombeiros, Rambos, Psicólogos, Professores, Mecânicos, e se somares isto tudo e mais qualquer coisa tens um Polícia.
Quando é que vais perceber que só falas em liberdade porque nós existimos?
Quando é que vais entender que tipos como tu são a razão da minha existência enquanto profissional.
Se nós não existíssemos, ias à praia? Ao futebol? Jantar fora? Deixavas o teu filho ir à escola? Quer-me parecer que não.
Será que não entendes que ao insultares-me, estás a insultar aquilo que és, um homem livre?
Tudo isto funciona com combustível que concerteza encontrarás em abundância num qualquer Homem ou Mulher de farda; Abnegação, Generosidade, Espírito de Sacrifício e Altruísmo. Googla estas palavras e saberás a definição, bom era que aprendesses o conceito.
Já hasteei a minha Bandeira à chuva, já a arreei ao som do clarim, já representei a minha Mui Nobre Nação, já chorei a cantar “A Portuguesa” caso não saibas, é o título do nosso hino, conheço muitos Homens e Mulheres que coseram a nossa Bandeira no braço, que fazem de ti uma cabeça de alfinete num mundo de cabeçudos. A minha farda é rica em sangue suor e lágrimas, minhas e de tipos como tu, que quando precisam, ao ver-me, encontram refúgio e protecção.
Olha, o meu Pai nunca me deu um carro, nem me pagou a universidade, mas deu-me coisas sem preço, entre elas o valor de um Não, Educação, Humildade e Espírito de Luta.
EU SOU POLÍCIA, ORGULHOSAMENTE!
E TU, O QUE É QUE TU JÁ FIZESTE PELO TEU PAÍS?"
No passado dia 11 de Fevereiro, decorreu um pouco por todo o país, uma marcha/concentração de cidadãos devidamente enquadrados por uma frente sindical, que a plenos pulmões gritavam contra o fantasma do endividamento, a famosa crise e suas maleitas.
A mim, foi-me confiada a missão de zelar por estas mesmas pessoas e ao mesmo tempo fazer por que tudo corresse dentro daquilo que tantas vezes se ouve falar, a Liberdade democrática.
E assim foi, como sempre, mas não para sempre, dentro do espírito sereno da malta Tuga, lá fomos indo desaguar na Praça do Povo, outrora conhecida por Praça do Comércio, cantando, berrando e mandando umas asneiradas, enquanto pelo canto do olho, alguns davam uma mirada Tuga, a uma ou outra menina, enquanto emborcavam uma imperial à pressa porque não podiam largar o cartaz muito tempo.
Dentro daquilo considerado normal.
Discursos, apupos, vaias e aplausos, termina a parte oficial.
Eis senão quando, foi-me dada a ordem de recolher o pessoal, visto que o evento estaria na sua fase de rescaldo. Assim, juntei a malta e devidamente enquadrados, deslocamo-nos para a nossa viatura para que pudéssemos trincar uma bucha.
Nesse mesmo deslocamento, há um garoto, que encoberto pela multidão, grita “…vão trabalhar seus chulos… parasitas… filhos da puta…fascistas…” .
–Cabrão! Pensei eu; -Devias-me dizer isso lá no café, na folga, ou no tempo dos cowboys lá no faroeste, paneleiro, covarde!
Ignorei e dei ordem para ignorar, fomos à bucha. A minha sandes devia estar estragada, caiu-me mal…
Eu sei que agora é tarde, mas mesmo assim a esse covarde e outros que para aí andam, tenho duas ou três coisas para vos dizer, cá vai;
“..Vão trabalhar…”???
Os chulos, ganham 780€ por mês, trabalham 45 horas por semana que se às quais somarmos os gratificados passam para 60, isso, 60 horas semanais.
Os parasitas, trabalham os feriados todos, sim, todos sem direito a compensação, as noite e os fins de semana sem direito a qualquer pagamento de hora nocturna, na chuva, no sol, no frio, no calor e por aí fora.
Os Filhos da Puta, depois de saírem de serviço, vão para tribunal com o bêbado que podia muito bem atropelar a tua família toda, quando saíste para ir jantar e celebrar uma merda qualquer que te tenha acontecido. Ficam no trabalho a acabar o expediente que vai de manhã para tribunal, com o bando que assaltou à mão armada, ou com o que roubou, matou, assaltou a farmácia, a ourivesaria, o carro, o puto que vinha da escola, a velha no autocarro, o camone no eléctrico e por aí fora, que por mim, podias ser tu, a tua mãe, o teu filho o teu irmão, que o trabalho seria feito de igual forma.
Os fascistas, chamam o reboque quando não consegues sair com o carro, quando um como tu, abusa da sua liberdade e deixa o carro mesmo na saída da garagem. Entendes este conceito de liberdade? Penso que sim.
Os chulos abrigam e protegem a mulher, as crianças que levam porrada de um esterco qualquer, só porque lhe apetece e leva-o a tribunal, na hora de folga.
Os parasitas, entram em casas em chamas, enfrentam armas de fogo, embrulham-se á facada, perseguem a grandes velocidades, lidam com todo o tipo de doenças, correm na direcção oposta, quando todos os outros fogem dali para fora.
Os chulos saíram do seu seio familiar e social e deslocaram-se, alguns para mais de 400km de casa, deixando tudo para trás, para fazer vida de forma honrada sem pedir nada a ninguém. Sem pedir nada a ninguém, sabes o que isso é?
Os parasitas, vivem num estatuto aprovado há mais de dois anos e regem-se pelo estatuto antigo, não conseguem passar um fim de semana inteiro com a família esperam 12 anos por uma promoção (única na carreira de 36 anos) e se quiserem algo mais, concorrem 1300 para 50 vagas.
Aqueles que insultaste, têm família, trabalham duro, são esforçados e honrados e são montes de merda como tu que colocam isso em causa? Não! Definitivamente não! Estes mesmos Homens e Mulheres apoiam os idosos que alguém como tu abandonou ao consumo do esquecimento, levam-lhe as compras, mudam-lhe a garrafa do gás e dão-lhe a medicação apenas em troca de um olhar grato, e isso sim, justifica tudo. Tu apareces quando tudo acaba, para vir buscar o ouro e ficar com as chaves de casa. E nós é que somos os chulos!
Aqueles que olhas com desprezo sabem um pouco de tudo, são Padres, Juízes, Médicos, Socorristas, Bombeiros, Rambos, Psicólogos, Professores, Mecânicos, e se somares isto tudo e mais qualquer coisa tens um Polícia.
Quando é que vais perceber que só falas em liberdade porque nós existimos?
Quando é que vais entender que tipos como tu são a razão da minha existência enquanto profissional.
Se nós não existíssemos, ias à praia? Ao futebol? Jantar fora? Deixavas o teu filho ir à escola? Quer-me parecer que não.
Será que não entendes que ao insultares-me, estás a insultar aquilo que és, um homem livre?
Tudo isto funciona com combustível que concerteza encontrarás em abundância num qualquer Homem ou Mulher de farda; Abnegação, Generosidade, Espírito de Sacrifício e Altruísmo. Googla estas palavras e saberás a definição, bom era que aprendesses o conceito.
Já hasteei a minha Bandeira à chuva, já a arreei ao som do clarim, já representei a minha Mui Nobre Nação, já chorei a cantar “A Portuguesa” caso não saibas, é o título do nosso hino, conheço muitos Homens e Mulheres que coseram a nossa Bandeira no braço, que fazem de ti uma cabeça de alfinete num mundo de cabeçudos. A minha farda é rica em sangue suor e lágrimas, minhas e de tipos como tu, que quando precisam, ao ver-me, encontram refúgio e protecção.
Olha, o meu Pai nunca me deu um carro, nem me pagou a universidade, mas deu-me coisas sem preço, entre elas o valor de um Não, Educação, Humildade e Espírito de Luta.
EU SOU POLÍCIA, ORGULHOSAMENTE!
E TU, O QUE É QUE TU JÁ FIZESTE PELO TEU PAÍS?"
FERNANDO T.
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