sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Simplifica e descomplica...

Transcrevo estas palavras que bem poderiam ser minhas de tanto que já refleti sobre elas...


" Manda um mosquete valente no orgulho. Manda um breque bem forte nas conversas de chacha que te dizem que deves ser difícil, que deves jogar o jogo do avança e recua com quem amas. Manda uma cabeçada à Mike Tyson nas lérias que te ensinam a não seres fácil perante quem amas. Se amas: sê fácil. Abre os braços, abre as pernas, abre a boca: abre-te para quem amas. Se amas: não compliques. Se queres um beijo, beija; se queres um abraço, abraça; se queres um orgasmo, despe e salta e dança e sua e geme. Se queres amar: ama. Não olhes a convenções. Prefere as pulsões. Prefere os corações, as animações – até mesmo os neutrões. Liga-te à electricidade, liga-te à corrente: sê a tua corrente. Esquece as correntes de pensamento que te fecham as portas, esquece as correntes de preconceitos que te ofuscam o desejo, esquece as correntes de medos que te castram o sentir. Se amas: sê fácil. E ser fácil é bem fácil: se queres dizer “não” dizes “não”; se queres dizer “sim” dizes “sim”. Simplifica: não obrigues quem amas a perceber o que está por detrás do que dizes, não obrigues quem amas a adivinhar que queres dizer exactamente o contrário do que acabaste de dizer. Diz o que pensas exactamente assim: como o pensas. Não te faças de difícil: fazer de conta vai, por vezes, além da conta. E depois podes até acabar tu por não entrar nas contas. Ainda não te contei? Conto-te agora então. Lê com atenção.

Jogar com quem amas só é interessante sobre os lençóis e entre as quatro paredes de um quarto. Jogar com quem amas só é interessante quando se trocam fluidos e lambidelas mais ou menos demoradas. Jogar com quem amas só para fazer de conta que és muito forte e que é quem amas que tem de te perseguir e seduzir e essas balelas todas não tem interesse nenhum. E torna-te, se insistires nessa alarvidade intelectual e emocional, em desinteressante. Em entediante. Numa valente pessegada de seca. Porque nada é mais secante do que quem sabe o que quer e aparenta – por uma questão de orgulho ou de racionalização doentia – não querer exactamente aquilo que quer. Mais uma vez: simplifica. Mais uma vez: descomplica. Sê e diz e faz o que queres ser e dizer e fazer. Se te apetece abrir os braços a quem te magoou: abre; se te apetece abrir as pernas a quem te fez sofrer: abre; se te apetece enfiar a língua na boca de quem devias odiar: enfia. Despreza as desprezíveis leis do amor-próprio. O amor-próprio é uma treta. Só te amas se te sentires bem contigo. E só te sentes bem contigo se estiveres bem com tudo aquilo que és. E se amas quem amas só te sentes bem com tudo aquilo que és se te sentires bem com aquilo que amas. E quando se ama quase tudo (ou tudo) aquilo que és é aquilo que amas. Por isso: ama-te amando (ou deixando-te amar por) quem amas. Por isso: não tenhas receio de fazer de Deus. Por isso: não tenhas receio de perdoar. Plenamente perdoar: sem saber porquê, sem entender de onde vem perdoar vem. Perdoar. Abrir. Não tenhas receio de esquecer o que tem de ser esquecido, de sepultar o que já foi. Enterra o passado. Sim: enterra o passado. Antes de que te enterres, definitivamente, a ti. Antes de que te enterres, definitivamente, em ti.

Sê uma rameira, uma prostituta, uma vadia, uma meretriz. Sê fácil para quem amas. Perdoa quem amas. Dá uma trancada no orgulho e dá uma trancada – ou várias – em quem amas. Não evites viver. Não evites, também, sofrer e fazer sofrer de novo, magoar e ser magoada de novo, chorar e ser chorada de novo. Não evites arriscar, não evites temer estar a ir longe demais. Não evites: não te evites. Porque é viver, e mais nada, que é inevitável.

in "EU SOU DEUS"
(encomenda exclusiva de exemplares autografados pelo e-mail pedrochagasfreitas)

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Nothing compares to U

As lembranças são pedaços de nós que arrumamos sem ordem específica, talvez por cores ou cheiros, sons ou músicas. Eu arrumei as lembranças de ti por sorrisos, os meus e os teus, aqueles que te vi esboçar e aqueles que sorri na tua presença e na tua ausência. E é assim que, ao procurar-me, te encontro a ti. Foste porto seguro onde me sentia inteira e livre de julgamentos. Recordo que enxugava as lágrimas nos teus sorrisos e apontamentos de humor e na tua capacidade de desviar a minha atenção das mágoas e humilhações das quais me vitimizava vezes sem conta. Nunca te cansaste de mim, não me recordo que em algum momento tenha sentido fastio ou indiferença da tua parte. Eras a pessoa que me ouvia nos momentos em que eu pensava não ter voz.
Lembro-me dos dias em que contava os minutos para que o sol se pusesse, dos dias em que para ti era invisível e em tudo o que eu fazia para me veres. (Sorriso) Corava só de pensar que te ia ver. E naquele dia que disseste que ias ter comigo e depois disseste que já não ias, não tenho a certeza já, acho que chorei de frustração. Pasme-se, eu lembro-me da primeira vez em que te vi, ou talvez a primeira vez que reparei em ti. E lembro-me de tantas outras vezes em que me senti livre, feliz, especial, simplesmente porque saia contigo. Lembro-me de sentir o meu coração bater...ah as borboletas no estômago! Mas quando estava ao pé de ti controlava-me tanto para não corar, para não deixar transparecer. Eras o meu amigo especial, aquela pessoa que me ouvia me entendia e estava do meu lado. A pessoa que me fazia ver o outro lado das situações que me retirava do buraco negro onde eu própria teimava em lançar-me.
Lembro-me das músicas e das danças, não que dançasses comigo habitualmente, muito pelo contrário, (sorriso) mas uma vez até isso fizeste por mim e acompanhaste-me numa dança...tempo suficiente para sentir o teu cheiro de perto e desejar que nesse dia me desses uma atenção diferente e que olhasses para mim de outra forma. Em vão.
As lembranças que tenho de ti não têm ordem cronológica, vão e vêem,  surgem dispersas, tão longe, tão distantes, avivadas com a tua ajuda ou com o meu esforço de recordar o que há tanto tempo deixei lá atrás. 
Ahhh recordo quando vi no meu Blog um comentário a um post, referindo-se a mim como "especialista em vinhos". Parei no tempo. Comecei por não perceber, depois disse para mim mesma: "não pode ser!" e depois foi novamente o bater do coração até confirmar que eras tu o anónimo que deixara o comentário. Já te tinha procurado antes, mas foste tu que me reencontraste primeiro. Mas quando estivemos juntos eu portei-me bem e acho que não corei e mantive o coração dentro do peito (sorriso). 
Depois disso tens estado presente de novo na minha vida. Partilho contigo as angustias e as alegrias. peço-te conselhos confio no teu discernimento  Tu continuas igual, não te abres, tenho de recorrer à minha habilidade de ler nas entrelinhas se quero entrar dentro de ti. Admiro a tua honestidade e o teu caráter.  O teu amor pelos teus filhos. Sinto-me feliz e orgulhosa por ter um amigo com o teu percurso profissional e roou-me de inveja das tuas viagens (sorrisos) e rio-me quando falas com tédio das mesmas. Continuas a ser o meu amigo especial. Tenho medo que te canses de mim e quando te ausentas por longos períodos de tempo é nisso que penso. É que tenho planos para nós, ja te esqueceste? velhinhos, de bengalinha a lembrar aqueles dias. (sorriso). Até era capaz de te autorizar uma bengalada ou outra por me ter portado mal no passado (e isto nada tem a ver com o facto de eu estar a ler as "50 sombras de Grey" (sorriso).
Também me lembro dos nossos desencontros...e de Portalegre...e de tudo o resto e que hoje não vou falar.
Lembro-me que do ano em que estavas em Luanda no teu aniversário (lá está a questão da ordem cronológica) bom, lembro-me de termos falado de eu ir ter contigo, de teres escolhido a roupa que eu ia vestir de mandares o chofer (sorriso) para me apanhar ao aeroporto e, sobretudo lembro-me de ter pensado que era capaz de ir e de sorrir ao pensar nessa possibilidade. Lembro-me de sorrir. 
Feliz aniversário meu amigo, que a vida te sorria sempre. Não te percas de mim, quero ser tua amiga até sempre.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Waiting...



Hoje realmente não me recomendo. E quando assim estou nem quero conversar. Cumpri o estipulado para hoje, mas sem ânimo, sem força, sem entusiasmo. Consegui caminhar por ai por respeito a uma amizade e numa tentativa de sair deste torpor, deste arrastar de sentidos sem sentido. Em vão. Dou por mim a navegar e a recordar imagens, pedaços da vida que passa por mim. Olho as almas, os sorrisos, oiço as vozes, os olhares, os movimentos, os silêncios e os gritos sonoros, mudos...observo a vida a acontecer fora de mim tentando buscar pedaços do que de mim ficou para trás. Dou por mim a desejar qualquer coisa que não sei identificar claramente. Dou por mim a desejar ser desejada, mas toda, inteira e poder corresponder. Dou por mim a querer estar naquele lugar, a desempenhar o papel daquela mulher acarinhada, mimada, tocada e que sorri de felicidade. Arrepio. Demoro o meu olhar nos casais que passam, nas mãos que se entrelaçam e nos beijos, ai nos beijos...por isso hoje não me recomendo. Tudo parece tão longe e tão inatingível para mim.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Escuridão


Não consigo sentir mais nada para além deste sono profundo que me puxa para o infinito do meu ser. Tamanha é a tentação de lá permanecer, acordada apenas por estas lágrimas que teimam em rolar pela minha face. Com a palma da mão enxugo-as, cerro os dentes, não quero sentir-me assim. A noite pesa tanto que quase não suporto ampará-la em mim, sobreviver-lhe. Os meus passos percorrem o mesmo caminho até lá fora, uma e outra vez, provocando em mim ansiedade, raiva, irritação. Quero que a escuridão entre dentro de mim e apague tudo o que ainda se ilumina, não vale a pena a luz, não vale a pena o sol, não vale a pena sequer esperar. Sou imagem irreal, não me retenho em ninguém e ninguém sobe os muros que me rodeiam para me salvar. Também já não quero ser salva, mas também já não quero sentir mais nada, nem dor, nem prazer, nem qualquer outra emoção. Quero arrancar esta solidão de dentro de mim, cada vez se entranha mais e eu sinto-me já a perder as forças.

domingo, 30 de setembro de 2012

Sonhos pedaços de corpo


Os sonhos são pedaços de corpo e de alma que se perdem de nós. Pedaços livres, autónomos, inconscientes e com vida própria, que se libertam do nosso Ser e vão onde nós não podemos ir. Deixamo-los ir sob pena de nos vermos aprisionados naquilo que fizemos de nós e que já não conseguimos recuperar. Pelo sonho recolhemos a água que nos mata a sede de desejo e bebemos cada gota com a maior intensidade que conseguimos impor num ato de loucura e impulsividade extrema. O sonho não está sujeito a censura, nem a regulação de volume, quantidade, intensidade, o sonho tudo pode.
Tem vida própria e, às vezes, é ele a própria vida. O sonho é nosso, e toda a emoção é nossa, ato egoísta, êxtase, horizonte sem fim, banho quente, arrepio frio, um cubo de gelo a deslizar, orgasmo múltiplo, vício, espécie de febre, suor, coração a explodir, prazer supremo...que se prolonga até acordarmos. Mas ao contrário de tudo o que acaba, o sonho pode sempre ser repetido infinitamente, para sempre, todas as vezes que adormecermos, antes do sono final.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Uma espécie de dor...

Hoje "passei" por vários assuntos com as pessoas que partilharam o meu caminho, ao longo do dia. Não sei se por coincidência ou se por mero acaso, o tema solidão foi recorrente. Talvez porque me sinto sozinha há tempo demais. Quem me conhece sabe que vivo rodeada de gente, de filhos, de colegas de trabalho, colegas da Universidade, amigos da rádio, amigos do ginásio, amigos da escola, amigos de amigos, de Facebook, de Hi5, da Oriflame, dos Depeche Mode, amigos que estão perto, amigos que estão longe, de recordações, de imagens, não seria, portanto, espectável que me sentisse só. Mas esta é a realidade. E hoje a solidão começou a apertar ainda o sol não se tinha posto, ainda me distraia no terraço do Hotel, acompanhada, e já me sentia absolutamente só. São 23.30 e está difícil. Já fiz de tudo, já li, já ouvi música, já fiz jantar, já arrumei a cozinha, já pus os miúdos a dormir, já lhes dei mimos, já fiz café, já o fui beber para a minha varanda, e a mesma sensação de vazio permanece. 

E aqui estou, só. A falar comigo, a desabafar comigo, a sentir falta de algo que jurei não querer sentir mais, do calor de ter alguém aqui ao meu lado onde me possa aninhar e adormecer. Onde me possa aninhar e me queira ouvir. Onde me possa aninhar e partilhar o dia, o sonho, a vida, o mundo. Alguém que me toque a pele, a alma e me faça sentir viva, alguém que sinta a minha falta e queira estar aqui comigo também. Dizem que a solidão dói e, hoje, só hoje...sinto uma espécie de dor tão grande...que mal consigo respirar. Depende apenas de mim, mas nem sequer consigo buscar companhia só por buscar...