quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Arrogancia ou autoconfiança?

Quando aterramos em Lisboa a escada surgiu para descermos do avião e o referido passageiro, disse para o outro: - “Estás ver? Aqui é assim, se fosse na nossa terra, ficávamos dentro do avião, à espera muito tempo, até que o homem da escada aparecesse. Mas aqui, eles são pobres, se ele falha, é despedido!”

Na sequência desta e de outras observações, perguntaram-me, se achava que os angolanos eram arrogantes ou de onde poderia vir esta imagem de arrogantes que nos acompanha. Penso sobre o tema e acho que existe: por um lado, uma consciência muito forte, desde os primórdios da história do nosso povo, e prevalece, na memória colectiva um passado de colonização, em que os portugueses vieram com um número significativo de gente pouco letrada, ignorante e pobre; por outro, longos séculos de cristianização, e angolanos com um nível educacional e de informação elevada, que se inscrevem como pares de outros no mundo e, por essas razões, não se consideram inferiores ou menos dignos.

Recentemente, surge uma classe de angolanos de riqueza recente, (como surgiu noutros países, em determinadas épocas), que ainda está a aprender a gerir, a usufruir e a viver os prazeres que o poder financeiro recente lhes confere. A estes, interessa exibir, pois assim sentem-se em paridade com outros, como se o seu valor estivesse assente, nos elementos materiais.

Confundindo aqui, auto-confiança, auto-estima, realização pessoal, com arrogância e exibicionismo dos bens materiais.

Por seu turno, o sofrimento, a dor, a perda, as dificuldades do quotidiano não ajudam, e afectam negativamente o bem-estar das pessoas em geral e torna-as fragilizadas. Qualquer ser humano fragilizado, sente a sua auto-estima e autoconfiança, assim como a confiança nos outros, ou no meio, a ruir. Logo, aquilo que é a essência da autoconfiança, ou seja, um ego bem nutrido e amado, estão abalados. Os afectos tornam-se negativos e um mecanismo de defesa que pretende compensar essa falha narcísica, é a exteriorização, o exibicionismo, como se houvesse uma necessidade de erguer o porte, tão desgastado pela vida, para mostrar ao mundo que existe uma certa forma de poder, de impor, e de existir.

A complexidade da nossa sociedade é de tal ordem que estes contornos dificultam que se faça bem, uma distinção entre ser auto-confiante e ser arrogante. A questão poderia ser: os angolanos são arrogantes, ou são auto-confiantes?A autoconfiança, é um domínio de conhecimento sobre si mesmo que permite ter segurança naquilo que se propõem fazer, ou realizar. Este estado é muito próximo da auto-estima elevada. Mas esta, por sua vez, é um dos pilares da autoconfiança e da auto-aceitação. Sendo este último, a forma de gostar e aceitar-se incondicionalmente. Estes são pares, por estarem associados ao conhecimento, às competências que cada um tem ou reconhece em si, sendo elas técnicas ou emocionais. Mas também, tem em consideração as limitações ou fragilidades aceites, de forma positiva ou sobredimensionada.

A autoconfiança e a arrogância, andam muitas vezes de mãos dadas, sobretudo naquelas mãos que não reflectiram sobre estes dois estágios, distintos, ou não os entenderam. Mais sério, naqueles que ignoram a importância e a elevação de um, face à menoridade do outro. Não são sequer duas faces da mesma moeda como o amor e o ódio, mas são opostos como o amor e a indiferença. Tal como o contrário de amor, não é o ódio, é a indiferença, o lado oposto de arrogância é a humildade.

A arrogância, é um dos maiores e melhores “sintomas” de falta de inteligência emocional, de falta de inteligência no geral, pois revela quase sempre uma incapacidade de empatia, de escutar, de sentir e viver emoções e, consequentemente, uma inabilidade para perceber o meio, os sentimentos dos outros e poder interagir de modo saudável e positivo.

O indivíduo arrogante está tão preocupado consigo mesmo e a tentar sobretudo, perceber apenas em si, o valor máximo, que não reconhece em si limitações, e é incapaz de viver sem ser destrutivo. O arrogante desvaloriza a contribuição dos outros porque frequentemente está implícito, esse sentimento, na apreciação exagerada das suas próprias realizações. Essas pessoas preocupam-se, constantemente, com fantasias de sucesso ilimitado, com poder, inteligência, beleza ou amor ideal.

A critica é feita quase que sistematicamente com um padrão invasivo de grandiosidade, assim como, prevalece, uma propensão enorme para a autoavaliação e auto-aceitação sobredimensionada ou sobreavaliada, em que as pessoas não aceitam as características dos outros como sendo suficientemente boas, mas só reconhecem em si, esse valor, fazendo de uma maneira geral, juízos muito críticos, muito cruéis.

É importante, enquadrar a nossa vida tendo como base três pilares, como diz, João Ermida : a verdade, a humildade e a solidariedade. Há aqui um ponto de equilíbrio, que tem de ser resultado de um processo de adaptação à vida. Nem ser excessivamente humilde e nem arrogante, é o ponto de equilibrio; acima de tudo tem de ser consciente de si e da imagem reflectida no espelho. Esta imagem é válida quer para o ser humano e as suas características, quer para as nações e os seus vários indicadores.

Não podemos ignorar que muitos indivíduos bem-sucedidos, exibem traços de personalidade que poderiam ser considerados arrogantes, ou narcisistas, porém, estes traços, somente constituem, um Transtorno da Personalidade Narcisista quando são inflexíveis, mal-adaptados e persistentes e causam prejuízo funcional significativo ou sofrimento subjectivo. Ou seja, da saúde, ou auto-confiança até à doença, ou arrogância, vai esta mesma distância.

A arrogância é uma forma de ser ignorante, de acreditar que se sabe tudo, e se domina os outros. Por essa razão, acaba por ser uma forma de privação de um dos maiores prazeres e benefícios da vida: aprender, apreender os outros e o mundo, saber fruir a vida e, consequentemente, ser muito mais saudável e feliz.

Na verdade, ao contrário da imagem revelada pelo passageiro do lado, sei que não podemos chegar "só porque somos ricos".

Luanda, 25 de Novembro de 2011
Noelma Viegas D’Abreu
Revista Estratégia

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Insanidade



Sinto-me insana. Que loucura é esta que me coloca nesta posição de nada querer, de nada me satisfazer, de nada me acalmar, de nada me puxar para a vida? Acordar de repente e todas as manhãs ter de enfrentar o novo dia de forma compulsiva, obrigatória e saber que será mais um dia igual aos outros, tortuoso, amargo, dificil de ultrapassar. Sentir-me assim hora após hora, segundo após segundo e sentir cada momento intensamente...queria adormecer...e ficar assim privada de todos os sentidos, não sentir esta dor imensa. Por momentos agarro-me a tudo para sair desta tortura e penso em tudo o que me pode retirar desta morte em vida, recordo, revivo, chego a tocar a raiva, sim tocar a raiva seria uma saida, mas logo a seguir não consigo aí permanecer e volto a cair vertiginosamente no vazio, na solidão. Converso com quem se digna a ouvir-me, tento encontrar as imagens que me podem retirar daqui, imagens que se desfazem diante de mim e não permanecem. O alimento não me satisfaz, as responsabilidades tornam-se prisão, o dia queima-me a pele, a noite gela-me o corpo, o pensamento voa descontroladamente. Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii alguém me dê a mão e não me deixe cair assim tanto, tão fundo, porque eu não tenho forças sozinha. Quem me dera despojar-me de mim, disto que eu sou, deste corpo cansado, desta alma sempre amargurada, destes olhos enrugados, desta boca com sede e sentir uma vez, apenas uma vez, que sou alguém para outro alguém e não apenas um acessório, um objeto, um veiculo, um adorno, um lixo. Que sou desejada, amada, sem fingimentos, apenas por aquilo que sou e por aquilo que dou. Que bom seria adormecer...já nem é por ti que estou assim, mas por aquilo que me tornei por teres passado por mim...por terem passado por mim... e consumido todo o meu ser. Sinto-me vazia, sem chão, sem sonhos, sem luz...completa insaninade.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Ai vem 2012...



Ai vem o Ano que vai mudar o curso dos acontecimentos. Que responsabilidade sr. Ano de 2012. Ora bem, não sou de fazer promessas, mas acho que me poderei ao menos comprometer com algumas situações. Como palavras "leva-as o vento", que fique registado. Se falhar, lerei o que aqui escrevi e darei o adequado seguimento ao meu incumprimento, assim comprometo-me a:

- tratar dos meus filhos como até aqui, cuidando para que não lhes falte amor, saude, alimento, aconchego, assistência, apoio, educação e momentos de felicidade;


- dedicar-me ao trabalho e em ser uma boa profissional como sempre tenho feito;


- não deixar que me faltem ao respeito e me humilhem;


- poupar dinheiro em tudo o que puder, para que ele não me falte antes de dia 23;


- tentar passar ao máximo e cadeiras que puder, na liceciatura que abracei (Terapia da Fala);


- investir um tempinho semanal em mim, no meu bem estar físico e psiquico;


- mimar os que gostam de mim e desejar que os que me fizeram mal ou continuam a fazer, que sejam muito felizes, mas longe de mim;


- dedicar-me mais um bocadinho à oportunidade Oriflame e chegar a Gold;


- providenciar que os meus filhos tenham tudo a que têm direito;


- sobriviver mais um ano.


FELIZ ANO NOVO



sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

(...) vou saber que valeu delirar e morrer de paixão (...) - de um Poema de Fernando Pessoa

"Eu tenho uma espécie de dever,
dever de sonhar,
de sonhar sempre,
pois sendo mais do que
uma espectadora de mim mesma,
eu tenho que ter
o melhor espetáculo que posso.
E assim me construo a ouro e sedas
,em salas supostas, invento palco,
cenário,para viver o meu sonho
entre luzes brandas
e músicas invisíveis.

Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite provável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã se este chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão"

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Pagar a conta em raiva??? pudesse eu...

"Ouvi dizer
Que o nosso amor acabou
Pois eu não tive a nocão do seu fim.
Pelo que eu ja tentei
Eu nao vou vê-lo em mim
Se eu não tive a noção
de ver nascer o homem.
E ao que eu vejo
Tudo foi para ti
Uma estupida canção que só eu ouvi
E eu fiquei com tanto para dar
E agora nao vais achar nada bem
Que eu pague a conta em raiva
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
Ouvi dizerQue o mundo acaba amanha
E eu tinha tantos planos p'ra depois
Fui eu quem virou as paginas
Na pressa de chegar até nós
Sem tirar das palavras seu cruel sentido.
Sobre a razão estar cega
Resta-me apenas uma razão
Um dia vais ser tu
E um homem como tu
Como eu não fui
Um dia vou-te ouvir dizer
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
Sei que um dia vais dizer
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
E pudesse eu pagar de outra forma
A cidade esta deserta
E algum escreveu
o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas...
Em todo o lado essa palavra
repetida ao expoente da loucura
Ora amarga,ora doce
Para nos lembrar
que o amor uma doenca
Quando nele julgamos ver a nossa cura."

Ornatos Violeta

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Angustia...

Um dia alguém entra dentro de nós de uma maneira que ocupa todo o nosso ser. Envolve-nos a alma, o coração, o corpo e faz-nos sentir especiais. Tu foste assim, entraste de mansinho e aos poucos comecei a acreditar que poderia ser feliz como nunca ninguém teria sido. Doce ilusão. Entreguei a minha vida nas tuas mãos, o meu pensamento voava para ti, os meus olhos cegaram para o mundo e só te viam a ti. O meu corpo ardia nas tua mãos e o meu peito vibrava com o teu abraço. Caminhei ao teu lado a construir um futuro, muitas vezes à tua frente para te incentivar a avançar. Outras vezes atrás de ti a orgulhar-me das tuas conquistas, a maior parte das vezes carreguei-te ao colo para te serenar e, acima de tudo, tudo fiz para te orgulhares de mim. Percorremos juntos quilómetros à procura do nosso sonho de sermos felizes, a conquistar formação e a conquistar o dinheiro para a nossa vida. Fizemos os nossos filhos felizes, fomos felizes. O menino inseguro, trémulo no primeiro beijo, tornou-se um homem cheio de certezas, capaz de me levar aos céus com amabilidade, docura, cuidado. Defendias-me de tudo e de todos, eu contigo senti-me sempre amparada. Mas a vida é deveras dura. A luta contra tudo e contra todos começou a pesar, as dificuldades não paravam de nos perseguir, as doenças, as discussões, as ausencias, a fatalidade de uma morte, as responsabilidades, tudo se uniu para nos separar. A liberdade surgiu a acenar e um de nós cedeu. Agora no meu peito apenas o vazio deixado por ti. Na minha cama o frio. No meu pensamento os dias felizes que passamos. No meu olhar as lágrimas que não cessam de cair. A minha vida segue firme com todo o meu ser concentrado nos meus 3 tesouros, tesouros que vou carregar sozinha, enquanto o meu corpo com fome de ti não desvanecer, enfim, fechando os olhos, que não quero abrir por já não te ver.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Neste momento és TU...




Neste momento és tu que eu quero com todas as forças salvar. Sinto a tua vida a escorregar das minhas, das nossas mãos, pouco a pouco, lentamente, depressa demais. Sinto-me defraudada com os ensinamentos da vida. Não conseguimos que fiques por cá mais um pouco apenas com a nossa fé inabalável, nem com a força do nosso amor por ti, nem com um desejo ardente da tua presença, nem com a força de mil braços a puxarem-te para cima. Nada mais está a fazer sentido, nem esta vida que percorro sobre brasas e que te doi a ti também, nem a falta de amor, de respeito, de saúde, de dinheiro que te dói a ti também. Nem a chuva que já cai lá fora e que vês da tua janela, sentado a olhar o horizonte há eternos dias, nem o sol que brilha e nos aquece e que tu já pouco sentes em ti, nem as estradas que percorro, nem os horários loucos, nem as rotinas sem sentido, nem as disputas, as brigas, as loucuras que nos perseguem, nem a VIDA, nem a vida faz sentido. Impotente. Ate os doutos doutores que juraram Hipocrates se esqueceram de ti. Até a crise europeia te atinge e te nega tratamentos e o teu corpo secumbe ao exército branco, enfraqueces dia a dia. O teu olhar que pede ajuda, ajuda, ajuda e a minha mão que já escorrega sem forças para segurar a tua. Deste-me a vida e eu, agora não sou como tu querias, não vivo como tu querias, não sou feliz como tu querias e eu nem sequer te posso salvar dessa dor nem desse destino que te puxa impiedoso. Quis tanto, há tanto tempo, salvar-me e, agora, neste momento eras TU que eu queria salvar...não vás!!!!